Estamos numa real e dolorosa crise económica, como quase todos sentimos na pele. Eu quando falo na crise falo mais da crise que muita gente atravessa porque para mim a crise não tem sido díficil de contornar visto que tanto eu como o P continuamos com emprego. Não vivo aflita anseando o fim do mês, mas em contrapartida fiz uma mudança radical na minha modesta vida tentando produzir tudo o que me for possível em casa; deixando de ir esporádicamente ao take away ( 3 vezes +- por mês); jantar ou almoçar fora está fora de questão; diminuindo as faturas da luz, água e gás, presenteando as pessoas com prendas feitas por mim, etc, etc
Eu quando digo que não tem sido díficil de contornar, digo, não por ter uma vida fácil, com grandes ordenados, ou casa paga, mas porque já vivi uma crise económica pessoal bem terrível e na altura só tinha uma filha. Digo porque nessa altura e depois de pagas as contas e dívidas ficava com 90 euros para o mês todo; digo porque nessa altura não tinha dinheiro nem para colocar solas novas em sapatos velhos; digo porque abria o frigorifico e estava quase vazio (só havia o que era importante para a minha filha); digo porque vivi desesperada e precisei de aceitar a caridade alheia e, para quem nunca passou por isto, isto mexeu imenso com a minha autoestima, levando-me a uma terrível depressão. Por isso para mim esta crise não está a ser díficil de contornar. É necessário saber cortar naquilo que não faz falta; é preciso não ser preguiçoso, arregaçar as mangas e produzir em casa; é preciso ter ordenados certos, ainda que pequenos, para poder gerir. Penso que para mim, que nunca vivi "bem" como muita gente, é mais fácil contornar porque sempre precisei de olhar o dinheiro com respeito, geri-lo, organizar-me de modo a chegar sempre para tudo, sem viver em constante sufoco. Sim sou uma pessoa remediada mas com muito trabalho que para mim é também prazer. Eu gosto de cozinhar, gosto de produzir, gosto de criar, gosto de inventar, gosto de organizar.
Hoje sou mais feliz do que ontem. Amanhã, não interessa, porque quando chegar será outra vez hoje e logo será o melhor possível de novo.






















